só pra quem me lê

tinha alguma coisa no meio daquilo tudo. era como se, no final das contas, nada tivesse valido a pena. ir atrás, correr, tentar, entrar, conseguir, conquistar tudo. nada tinha valido a pena. tinha sido um saco chegar até aqui, tava sendo cansativo me manter em pé, tá doendo um pouco a coluna esse tempo todo escalando, escalando, escalando. já cheguei e ultrapassei meus sonhos mais distantes, distintos, difusos. as coisas que eu nem sabia que queria, eu quis e conquistei e continuo insatisfeita. insegura. inquieta. com uma vontade louca de desistir, jogar tudo pro alto e só ir embora. sem voltar. sem nem saber pra onde ir. só partir. deixar a vida rimar com o que quiser. me encontrar com quem fosse, gente estranha, esquisita. ir pra festa estranha, esquisita. bem renato. me meter num beco sem saída só pra sentir o coração pular. ficar parada aqui no canto não dá. esse canto é bom, é confortável e sempre úmido, mas eu queria ir pra um lugar meio apertado, ruim de ficar. que desse vontade de sair. eu gosto de sair. quero correr. me dá vontade de correr. de sentir uma angústia, uma emoção, um negócio. deve ser por isso que da última vez o beco sem saída ruim e com pouco ar me dava tanta sensação de vida. deve ser por isso que eu insisti tanto naquele negócio que não era bom: tudo que é ruim dá pra gente uma vontade louca de melhorar. mas daí até eu descobrir que a vontade de melhorar não é vontade de melhorar é só a vontade de sentir vontade… aí foi chão. aí foi tempo. aí foi um monte de gente se machucando no caminho. mas eu não tive culpa. não muita. eu só descobri agora que eu não gosto disso. eu devia ter desconfiado: olha a merda toda que eu construí até aqui, por deus. você saberia se tivesse me lido. eu saberia se tivesse me ouvido. mas eu nunca me ouço. deve ser por isso que eu fiquei aqui até agora, nesse lugar confortável e sempre úmido. faz bem pra rinite. até a rinite tava bem. essa porra nem tem cura. você entende? eu sei que você não vai entender. eu não sabia, também. mas você teria sabido se tivesse me lido. essa foi a diferença. as outras, os outros, todo mundo sempre me lia. você não me leu. nem tentou. daí quando eu fugi, quando eu saí correndo sem ter pra onde ir, quando eu fui pros braços dos amores errados e dos ciúmes forjados e dos momentos sofridos de emoção à flor da pele, você não entendeu. disse que eu não era assim. só que eu era. sempre fui. você deveria ter me lido. eu voltei pra quem me lia. mas eu já tinha avisado. você teria sabido. devia ter me lido.

Autor: giovanna marques

percebo as coisas com atraso e escrevo tudo pontualmente.

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