hoje eu acordei achando que era domingo

tinha um escapulário em cima do balcão do banheiro lá de casa. e, como hoje não é domingo, deixei lá. do jeito que tava. emaranhada. tinha um fio de cabelo preso. não tentei tirar. olhei no espelho e achei uma ruga. não procurei. achei tanta coisa sem buscar. um amor pra recordar. um sorriso preso na garganta. um lugar pra sentar no ônibus. uma cafeteria nova. dois amigos encostados em um pedestal. um isqueiro laranja. um preto. gente boa, ele. um branco. o isqueiro. achei meus brincos. achei que tinha perdido. esses, procurei. de frente pro espelho, passei papel higiênico molhado pra tirar as marcas de pasta de dente. porque não é domingo. não dá pra ter uma visão turva de flúor. pasta de dente é tipo inseticida. contra cáries e contra os insetos. contra os insetos. insetos não sabem que hoje é domingo. porque não é. eu podia até fumar aqui. não é domingo. o único dia em que não fumo. domingos. deus devia levar em consideração antes de me julgar pelos outros dias todos. não tão tortos. pouco. aos domingos, linha reta. all the way up. hoje pego um atalho. e, quando paro, um escapulário no banheiro. e uma tentativa de achar a dona do cabelo. não é meu. acho. mas não procurei. quem vai dizer.

Autor: giovanna marques

percebo as coisas com atraso e escrevo tudo pontualmente.

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