primeiro de maio

meu trabalho da vida é escrever. sempre foi. até quando eu não trabalhava, escrevia. dia desses, destralhando coisas da Gaveta De Bagunça, achei uma história de seis páginas que escrevi durante as aulas da sexta série. sei disso porque estava escrito: “Fim. (Escrito por Giovanna Marques – nº 14 – 6ªB)”. não era um trabalho pra escola, era uma história que eu queria contar. era de amor.

eu lembro de escrever nas últimas páginas dos cadernos e de acabar invadindo as matérias das aulas do ensino médio. lembro de carregar um caderno a mais na mochila pra escrever o meu livro. lembro de escrever cartas, contos, músicas, textos, histórias.

foi depois da escola que isso virou trabalho: entrei no universo da publicidade por meio do digital. trabalhei em agência, escrevendo todo tipo de conteúdo pra internet, pra todo tipo de marca. ao mesmo tempo, minha tia me mostrou um blog que buscava uma colunista fixa pra falar de cultura. por que não eu? tentei. consegui.

na agência, escrevia post de facebook, fazia ghost writing pra gente c-level que não tinha tempo de escrever, fazia estratégia, planejava campanha, atendia cliente, organizava equipe e bebia muito, muito, muito café e ainda mais cerveja. para o blog, escrevia um texto por semana. pra falar de literatura, de cinema, de peça de teatro, de lançamento musical. fui pra cabine de imprensa, pra lançamento, coletivas, consegui exclusivas, entrevistei nomes conhecidos e entrevistei pessoas cujos nomes deveriam ser conhecidos. conversei com a primeira mulher a dirigir um longa metragem no brasil. assisti, sentada na platéia, o lázaro ramos ensinar, com cautela e educação, uma jornalista branca a fazer questionamentos pertinentes sobre racismo.

alguns anos depois, descobri que a escrita podia me levar a trabalhar com pessoas e marcas muito legais e fui redescobrir minha literatura trabalhando com dois escritores fodas. na minha primeira entrevista, com um deles, saí escrevendo um texto sobre o aviso de proibido fumar no elevador do prédio. na segunda entrevista, com o outro, saí tão inspirada que escrevi dezenas (literalmente) de páginas do meu livro no caminho de volta pra casa.

sempre digo que entre escrever as marcas na minha biografia e deixar a minha escrita na biografia das marcas, escolho fazer os dois. trabalho formalmente criando para marcas porque acredito que, em um mundo capitalista como o nosso, empresas têm um poder de mudança gigantesco. se minhas palavras puderem direcionar o caminho para o bem, estou satisfeita. por hoje e todos os outros dias.

Autor: giovanna marques

percebo as coisas com atraso e escrevo tudo pontualmente.

Uma consideração sobre “primeiro de maio”

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