PCP #03 – como dois e dois

E AGORA AINDA É FERIADO NESTA MERDA. Mas vá pra puta que pariu que NADA pode seguir o planejado nessa vida. Nada. Absolutamente nada. Veja: essa semana JÁ ESTAVA caótica. Já NÃO HAVIA esperança alguma de dar conta de todas as tarefas. A gente sabe, a gente se engana. Tá no Todoist só pra frustração de sexta-feira mostrar que a gente ainda está vivo. Caetano até tentou cantar pra mim: Tudo vai mal, tudo… Tudo mudou não me iludo e, contudo, a mesma porta sem trinco, o mesmo teto…  Mas, Caê, quando é a mesma porta e o mesmo teto, a gente deveria saber o que esperar. 

MAS NÃO. É AÍ QUE TÁ. A gente nunca sabe. Foi preciso decretar FERIADO. Porque as pessoas NÃO TÊM NOÇÃO. As pessoas não conseguem entender que É POSSÍVEL QUE FALIDOS SE RECUPEREM, mas os falecidos SÃO PERMANENTES. Eu sei e ENTENDO que o seu negócio é pequeno e vai ser foda manter o rolê acontecendo, EU SEI, mas as pessoas PRECISAM ESTAR VIVAS para que isso aconteça. Se todo mundo morrer não vai ter ninguém pra comprar o que você tem para vender. A conta é simples. Como dois e dois são CINCO.

Porque, ignorando ESSE DETALHE FÚNEBRE, as coisas estão FORA DE CONTROLE. As entregas de sexta-feira, ficam pra quando? E as de segunda? E pior: as de quarta? As de quinta? Acho nobre a atitude da prefeitura e do estado de São Paulo de recorrer a medidas extremas para tentar diminuir a quantidade de casos diários. Está preocupante. Muito preocupante. Não estou reclamando. Estou perguntando. O que eu FAÇO com essas coisas? Ou melhor: QUANDO eu faço essas coisas? Porque trabalhar no feriado não é uma opção. Tenho trabalhado em todas as outras ocasiões. Mal tenho conseguido tomar banho. 

É fácil ficar sem tomar banho quando você está dentro de casa o tempo todo. Você acorda um dia, toma um banho, faz um café, vive sua vida, trabalha, reclama do chefe, abre uma cerveja, assiste uma live, arruma a coluna, abre um canal do YouTube com exercícios físicos em blocos de 15 minutos, muda de aba pra postar alguma coisa no Twitter, se perde em um vídeo engraçado de uma criança branca fazendo coisas que crianças brancas fazem, retwitta algo falando mal do Bolsonaro, estica o corpo mais uma vez, lembra que deixou a aba de exercícios físicos aberta, assiste ao vídeo tomando cerveja sentada, junta as latas na mesma sacola, deita na cama mexendo no celular e adormece. No dia seguinte, o despertador toca e você vê que alguém te mandou uma mensagem e que nada está como deveria estar. Você pula da cama pra cadeira sem tirar nem a remela do canto do olho e, quando percebe, o dia já passou, você já abriu outro vídeo de exercícios físicos no Youtube e está falando mal do Bolsonaro no Twitter. Você cochila com a remela de ontem nos olhos. E acorda completando umas 45 horas sem banho. E passa um café antes de encarar o chuveiro, sem culpa. 

Não que isso tenha acontecido comigo. Hoje, não, pelo menos. Até porque hoje é feriado. E eu não faço a menor ideia do que vou fazer com tantos blocos em branco. Talvez eu realmente consiga fazer os exercícios hoje? Talvez. Vou colocar na lista de tarefas: fazer o treino de 15′ daquele vídeo. O objetivo é suar, liberar os hormônios que deixam a gente feliz. Essas coisas. Vou tentar. Vou conseguir. Hoje, eu posso. Eu consigo. O próprio Obama encarnado em meu corpo: Yes, we can. Yes, we can! E, amanhã, yes, we did! 

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Autor: giovanna marques

percebo as coisas com atraso e escrevo tudo pontualmente.

3 comentários em “PCP #03 – como dois e dois”

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