escrever não é um dom

antes dessa loucura toda começar, eu acordava antes de ir pro trabalho pra escrever. ainda acordo. escrevo durante horas consecutivas, até a dor no pulso me impedir de continuar. escrevo dezenas de páginas e apago tudo para recomeçar. sem titubear. escrevo com os livros ao lado, escrevo lendo, escrevo pensando. escrevo no canto do papel, escrevo onde, como, quando preciso – nunca quando dá. quando dá, não consigo. nem quero. escrevo porque preciso. escrevo amo escrever, escrevo porque as palavras escritas dão significado às coisas que nem sempre podem ser descritas; escrevo porque a letra tem vida e é só no que tem vida que a vida acontece. escrevo porque eu tenho vida. é trabalho duro: escrevo pela insistência. mergulhar em um texto, reler, deletar, reescrever. reescrever um texto pronto, reler centenas de páginas centenas de vezes. dia desses transformei três capítulos numa frase: “a gente começou no bar”. nada mais precisava ser dito. ouvi de outro autor que não se deve jamais dizer em 50 poemas o que pode se dizer em 25. a parte mais difícil é dizer em 25. dá vontade de dizer em 70. escrever todo mundo escreve. difícil é ser lida. não porque não leem. mas justamente porque leem. porque é preciso que leiam. e é preciso que entendam, absorvam, se apoderem das palavras quase como se fosse impossível de se desvincular. escrever não é um dom. a vida é. colocá-la em palavras é a minha escolha.

Autor: giovanna marques

percebo as coisas com atraso e escrevo tudo pontualmente.

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