tem uma parada gay acontecendo em são paulo hoje

tem uma parada gay acontecendo em são paulo hoje. não é uma parada tipo negócio tipo um treco tipo um bagulho tipo um trem. é uma parada: é mais ou menos como se a cidade inteira – ou a avenida paulista – parassem pra celebrar o orgulho lgbt no mesmo canto durante algumas horas. é a única data do ano que as pessoas não tacam coisas em pessoas no metrô por causa de arco-íris ou do seu tipo de amor. é basicamente o livre direito de circulação de pessoas lgbtq pra cidade. é mais ou menos assim: para aí, a parada é nossa. a cidade inteira, hoje, é nossa.

tem uma parada gay acontecendo em são paulo todo dia. e é uma parada tipo negócio tipo um treco tipo um bagulho tipo um trem. essa parada é ótima: a gente tá aparecendo. saindo do armário, sabe? pouco a pouco, porque ainda dá medo. é osso de aguentar gente falando na sua orelha, eu admito. é osso de aguentar parente falando que você nunca foi assim, por que agora é?!, como se fosse uma escolha de roupa nova do dia. é osso de aguentar ouvir que é amigo de quem a gente ama do fundo do peito. é osso de aguentar ouvir que a gente é bicho, é verme, é sujeira, é promíscuo. a gente não é nada disso, não, cara. a gente é gente boa demais.
a gente quer dar risada da vida e faz isso todo dia, quando dá. quando não tem um da gente morrendo, tomando lampadada, sendo sequestrado, sendo injustiçado no trabalho, sendo nivelado por baixo porque não deixa seu amor pra lá. a gente dá risada da vida quando consegue andar de mão dada sem ter que ouvir que é bonito demais para. a homofobia é uma merda, puta que pariu, que grandessíssima merda. mas tem uma parada gay acontecendo em são paulo hoje, tem uma parada gay acontecendo em são paulo todo dia e, com sorte, vai ter uma parada gay acontecendo dentro de todo mundo um dia pra todo mundo entender que essa parada de ser gay não tem que fazer ninguém parar, não.
aliás, a parada é movimento, dança, é gente que se mexe, gente que quer fazer a roda girar, fazer a vida acontecer sem tanto drama, sem tanta trama, sem precisar criar esquema pra gente poder ser. a gente não quer ser gay – a gente nasceu gostando de gente e tá vivendo aí fazendo o que o peito diz que faz bem. tá bom ou quer mais? vou te contar: vai acontecer uma parada muito gay nos próximos dias quando eu encontrar a mulher que eu descobri que eu amo. e ela é linda, viu? muito, muito, muito linda. e a parada gay que acontece entre a gente tem tanto movimento que me leva mais pra frente do que eu jamais acreditei que pudesse ir. e acontece todo dia.
é uma coisa louca. dá até vontade de cantar daniela: a cor dessa cidade sou eu. quando eu tô com ela, o canto dessa cidade é todo nosso. eu quero movimentar essa parada pra gente poder ser movimento pra todo canto. essa parada que é um negócio tipo treco tipo bagulho tipo trem. tipo tudo isso. juntinho. igual a gente. que gosta de ser junto. juntinho.

você é a soma do que não precisa ser

você não precisa pegar o mesmo trajeto todos os dias. nem economizar no almoço de segunda. nem ir pro bar na sexta. nem deixar de responder uma ofensa só porque veio de alguém cujo papel social parece importar. você não precisa engolir sapos. nem aceitar um contrato meia-boca. você não precisa esconder seus medos, defeitos e tentar apagar as cagadas do passado. você não precisa aguentar gente chata. você não precisa ser simpática com gente chata.
você não precisa ter empatia com todo mundo. você não precisa estar sempre feliz, nem fingir que está tudo bem quando não está. você não precisa saber tudo, nem conhecer tudo, nem conhecer o mundo. mas, se puder, conheça, saiba e saia por aí. conhecer o seu bairro inteiro já é bastante coisa. você não precisa usar sutiã. você não precisa esconder as tatuagens. nem o maço de cigarros no fundo da mochila. você não precisa fingir que gosta de alguém. nem de mim. nem me avisar.
você não precisa olhar o lado bom da vida todos os dias. nem dar passagem pra um carro que vem de um cruzamento quando você está com pressa. você não precisa abaixar o volume do fone de ouvido. nem maneirar na cerveja. nem beber até cair todo final de semana. você não precisa sair. você não precisa ficar em casa. você não precisa usar o mouse com a mão direita. você não precisa usar um mouse. você não precisa responder aquele cara. nem aquela mina. você não precisa ser um cara ou uma mina legal. você sequer precisa ser um cara ou uma mina, ponto.
você só precisa ser você. essencialmente. com quem está ao seu redor. e assumir a bronca que ser você trará. sempre traz. olhar a vida de frente. não se fazer de vítima das circunstâncias e não permitir que te coloquem no espaço de coitado. você não é coitado, nem vítima de nada. você é a soma das coisas que não precisa ser, mas é. você é resultado do que você não precisa fazer, mas faz. você só precisa saber quem é e o que não tolera. nem precisa saber o que gosta: só saber o que não aceita já limita muita coisa. você só precisa respeitar quem o outro é, mesmo que isso signifique mantê-lo longe. e você precisa deixar a esquerda livre. esse último não é negociável.

por aí

já é meio manjada essa coisa de querer escrever e não saber o que daí se enfiar numas de chamar de fluxo de consciência o monte de tralha que assola a cabeça de qualquer panaca que se mete a escrever qualquer coisa. porque escrever é uma merda: você enfia o dedo na garganta e ninguém tá nem ai pro que vai sair, mas você sai mendigando atenção dos outros para olharem os restos de você que saíram à força d’um lugar que ninguém queria visitar. e aí começa a falar de coisas babacas e banais como a caixa de papelão cheia de roupas amassadas que fica do lado da cama da garota que te faz agir como uma completa idiota também. começa a escrever sem muito filtro sobre como é um inferno trabalhar tanto e como ninguém aguenta mais a sensação de que a vida não passa. ninguém é muita gente, quem não aguenta é você mesma. e aí pensa que essas reclamações talvez sejam masculinas demais e que a coisa desgraçada de beber demais, fumar demais e quase vomitar com o cheiro de cigarro nos próprios dedos é coisa de escritor fudido. mas aí lembra que você é uma escritora fudida, mesmo, e não tem muito como fugir. já é meio manjada a coisa do escritor fudido, mas, veja só, tão feminista que sou enfiei a porra da igualdade na pior parte possível. e agora sou uma escritora fudida tal qual tantos escritores fudidos que frequentam, sozinhos, bares sujos e pagam pouco por muito álcool pra ver se estabiliza alguma coisa de uma cabeça que nunca pára quieta se não estiver completamente tonta por causa do álcool. bebe demais, fala demais, alto demais. nada de poético ou de bonito em ser fudida. mas, escrevendo babaquices esses dias eu descobri, olha só, nunca quis ser diferente. então foda-se.

armários

eu nem queria sair do armário e me socaram pra fora porque começaram a falar que deus não era legal, porque, olha, veja bem: gente legal não é homofóbica nem segregacionista nem te julga porque você transa antes de assinar meia dúzia de papéis – na real, mesmo, se você for ler a bíblia vai entender que deus era legal sim porque quer que a gente seja feliz de verdade e não faz o menor sentido botar numa necessidade fisiológica o peso da fogueira do inferno, mas, tá, seguimos: me socaram pra fora do armário porque eu não suportaria nem a pau viver dentro daquele lugar escuro e sem cor, daí, bem, foi isso, saí do armário da religião pela porta da frente e, ao invés de viver livre leve solta, soquei todos os meus amigos gays dentro do armário da minha vida e fingi para papai e mamãe que não eram gays coisa nenhuma eram só duas amigas, só dois amigos, ele tava abraçando de pertinho porque é bem carinhoso mesmo, eu juro, não precisa nem questionar duas vezes, mas aí elas se beijaram lá e minha mãe viu umas mensagens e ok, é gay, que que tem, deixa serem felizes, eu não tenho nada a ver com isso: até ter e nossa, como eu tenho a ver com isso e o que é isso que eu estou sentindo?, se ela é uma mulher eu não deveria estar me sentindo assim, tinha que ser diferente, tinha que ser um sentimento de admiração e amizade, mas eu queria mesmo era beijá-la até o dia virar noite e continuar beijando depois que a lua aparecesse pra dar seu brilho pro céu e aí isso pra mim era ser feliz de verdade, porque ela me fazia feliz de verdade, então eu preciso fingir que não e, olha lá, me instalei dentro do armário de novo, mas cansei, não tenho mais idade pra mentir, e saí do armário pela décima sétima vez e caminhei pra fora com o peso do mundo nas costas e agora eu to andando por aí avisando pra todo mundo que perguntar que o beijo que eu quero de manhã vem de outra mulher e ela é a pessoa mais linda do mundo e a porta do armário não cabe mais no meu quarto e na verdade o que eu sinto por ela também é bem maior que aquele espaço e eu explodo o tempo todo porque sinto que se eu me apaixonar só mais um pouquinho por ela meu coração vai triplicar de tamanho e vou precisar de um corpo novo pra colocá-lo: o nando reis fala que tornar o amor real é expulsá-lo de você para que ele possa ser de alguém e, hoje, fora do armário, talvez eu tenha entendido tudo e queira muito não explodir e só tornar esse amor real e entregá-lo às mãos que seguram as minhas pela rua, em público, sem madeira nenhuma em volta até porque marrom é uma cor morta e ela é a pessoa que mais gosta de cores que eu conheço – espero que tenha sido por isso que ela tenha escolhido ficar comigo: eu gosto das cores todas e meus amigos dizem que eu sou uma das pessoas mais coloridas que eles conhecem e eu quero dar pra ela razão pra enxergar todas as cores que existem nesse mundo.

coisa de deus

quarta de cinzas não é dia pra nada importante acontecer. carnaval não é feriado pra mudar script. copo não é feito pra dividir. pizza não devia ser de berinjela. ninguém deveria ser intolerante à lactose. o primeiro café da manhã não deveria ser tomado sem fumar um cigarro. e não deveria ser permitido gastar calorias antes do café. mas algo importante aconteceu. e eu mudei o script. e dividi o copo. e a pizza era de berinjela. e eu não posso comer queijo. e eu prefiro te beijar a fumar esse cigarro. gosto de gastar calorias. beijo todas as suas pintas. e, olha lá, acenderam o sol. e, com o sol aceso, eu te falei que poderia escrever um texto inteiro sobre seu beijo com gosto de café. você deve ter achado fofo, mas que era só exagero como quase tudo que eu falo e faço. que tinha passado do limite e que, no máximo, uns dois ou três tweets seriam suficientes. mas você não sabe de nada quando se trata do tanto que eu gosto do seu beijo. e de café. e aí você juntou as duas coisas e, enquanto tem mais um café sendo coado, eu tô aqui sentada com esse caderno na mão (eu sou old school, você sabe) só pra te dizer que gosto muito de cerveja. e de ouvir música na rua. e de cantar alto tudo que tá preso no peito. mas que tudo isso ganha muito mais graça quando você tá perto. e que fica ainda melhor quando eu sei que na manhã seguinte você vai estar com preguiça deitada no meu peito. e que a gente vai se divertir olhando o sol que acenderam e agora invadiu as frestas da janela. eu não sei quem acende o sol pela manhã, mas sempre vou agradecer por conseguir te ver melhor. eu não sei quem inventou o café: deve ter sido deus, porque só alguém que ninguém viu pra fazer algo tão bom assim. e eu tenho certeza que também foi ele que pegou uma caneta pra desenhar sua boca. ele deve terceirizar algumas criações pra meia dúzia de anjos estagiários que devem usar camisa polo no céu. mas você, eu aposto, ele fez à mão. ele mesmo definiu o formato das pintinhas que você tem pelo corpo. e a textura da sua pele. e o cheiro do seu pescoço. e o beijo que você me dá e o tempo que você fica parada na minha frente sem me beijar bem de pertinho e eu consigo sentir sua respiração, calma, e seu toque, manso. foi deus que fez, eu tenho certeza. e depois de fazer o café e você e o jeito que você me beija, ele te enfiou na minha vida pra eu conseguir respirar fundo de manhã. e é tão bom quando eu respiro fundo e é você deitada no meu peito que sente que eu tô com taquicardia. como se eu não tivesse notado. como se eu não percebesse. como se eu não ficasse assim o tempo inteiro perto de você. foi deus. só pode ter sido.

à você

à você que também viu o rato atropelado na calçada da rua das olimpíadas. à você que vestiu a melhor roupa para aquele dia. à você que nunca conseguiu acertar a conta. e à você que acerta sempre. à você que ficou cinco minutos para entrar na estação antes de entrar na fila e depois mais cinco antes de chegar na plataforma e esperou cinco trens para entrar em um. à você que não tira a roupa quando chega em casa para não desanimar. à você que não desanima. à você que sabe que nada se constrói sozinho. que aceita o outro. à você que acha tempo para cantar alto na rua. à você que come bala halls preta e deixa o papel grudado dissolver na boca e engasga um pouquinho. à você que almoça no self-service mais barato. à você que arregaça no vr. à você que almoça rapidinho. à você que extrapola o horário de almoço. à você que toma três xícaras de café uma atrás da outra. à você odeia café, mas. à você que lê andando no meio da multidão. à você que beija em público. à você que não gosta. à você que acorda às cinco e meia achando que não merece – e à você que tem certeza. à você que vai dormir com a sensação de dever cumprido e à você que podia ter feito um pouco mais. à você que fica inquieto, à você que pega livros emprestados. à você que ensina e à você que ouve atentamente. à você que tentou colar salompas no pé para ver se diminuía a dor e à você que também descobriu que não adianta. à você que mantém a pose. à você que esculacha. à você que vai acender o cigarro e não acha o isqueiro. à você que empresta o isqueiro. à você que canta. escreve. pinta. dança. sabendo ou não. à você que tenta: principalmente à você. à você que tem dez anos que. à você que quer completar dez anos que. à você que enfia a cabeça no celular para não perder a estação dormindo. à você que inventa histórias para todas as pessoas ao seu lado na plataforma. à você na plataforma. à você de terno, à você de salto, à você de chinelo, pijama e bafo. à você, sem camisa na rua. à você que vive, um recado: você dá conta. e não importa o resultado.

no final dessa história alguém vai morrer

no final dessa história alguém vai morrer. mas antes vai passar pelo supermercado e comprar dois pães, manteiga sem sal pra fazer bolo e uma caixa de leite de soja. depois, vai andar com as sacolas todas na mesma mão e vai sentir a pressão do plástico na dobra dos dedos e vai mudar a mão porque vai doer. depois vai parar numa padaria pra comprar um novo maço de cigarros porque esse já está quase acabando e, você sabe, não dá pra ficar sem quando se chega a esse ponto de. depois vai continuar andando e chegar em casa e colocar as coisas em cima da pia de mármore sujo e sentar no sofá. então vai ligar a televisão e balançar os braços pra aliviar a pressão que fica nos dedos depois de carregar sacolas de plástico numa só mão. depois vai levantar do sofá com muita dificuldade porque a coluna vai doer e vai pra cozinha fazer o bolo com a manteiga sem sal e o leite de soja. depois vai pensar consigo mesmo que não faz o menor sentido comprar um leite de soja e uma manteiga comum, sem sal, mas vai fazer o bolo mesmo assim e enquanto estiver misturando a farinha com os ovos o leite de soja e a manteiga comum, sem sal, numa batedeira velha e encardida em cima da pia onde ainda estarão as sacolas amassadas, vai pegar no fundo do bolso o maço de cigarros e colocar um deles entre os lábios sem acender. vai perceber que a batedeira está fora da tomada e vai ficar sugando o filtro vermelho enquanto sente na boca o gosto das oitomilsubstânciastóxicas do cigarro e vai continuar batendo o bolo e vai colocar a massa na forma e ligar o forno e colocar a forma no forno. depois vai até a sala e vai sentar no sofá de novo, agora com o saco de pães, e vai cochilar e acordar com cheiro de fumaça forte e um calor descomunal e aí a coluna vai doer pra levantar de novo e o fogo vai começar a chegar perto demais. depois os pés vão começar a queimar e os chinelos vão derreter e a coluna vai continuar doendo e o fogo vai se espalhar pelo sofá que já estava velho e precisava mesmo ser trocado. a dor nos pés já vai ser insuportável e a coluna não vai deixar sair do lugar – muito menos com as pernas agora queimando como queimam os pedaços de carvão em churrasqueiras de tijolo. e depois as roupas velhas vão pegar fogo. e quando os bombeiros chegarem vão apagar todo o fogo e vão encontrar no forno o resto de um bolo feito com leite de soja e manteiga sem sal que ficou carbonizado e ninguém vai se importar e nem se surpreender. o bolo vai deixar de ser. o cigarro vai estar queimado, em cima da perna. os bombeiros não saberão dizer se estava aceso. e você já sabe o que aconteceu comigo.

fluxo de consciência I

a gente bate no peito pra falar que é artista que respira arte que não sabe viver sem música que o texto sai por onde a cabeça nem passa e que tudo passa mas a poesia prevalece a gente bate no peito pra falar que vive de escrita e que tudo que aconteceu na vida foi documentado em alguma escala a gente ama pra escrever a gente respira pra escrever bebe pra escrever fuma pra escrever respira fundo pra escrever inspira pelo nariz solta pela boca e no final da expiração escreve um poema a gente vê uma placa e escreve um poema a gente passa um café e escreve um poema a gente acende uma vela aromatizada e escreve um poema sobre o cheiro que sai da chama da vela que acendeu no momento do fim do dia que a gente entendeu o que adélia prado queria dizer quando escreveu que de vez em quando deus tira a poesia porque a gente apesar de ser artista escritor poeta nem alegre nem triste apenas poeta a gente olha pra pedra e como adélia disse a gente só vê pedra e aí não sai poema algum.

i’m not just a lucky bastard

every time people ask me how did I get “here”, I answer: sweating. literally. sweating in the bus to get to meetings scheduled really far from my office, running out of time but still working hard so i can meet really (really… really!) tight deadlines. eating junk food to go back to work quickly, for days. even weeks. drinking as much coffee as i can without creating a hole in my stomach. it’s hard to get. and listening to pop music so i could dance instead of falling asleep after three days working without having more than 4 hours of sleep. coffee doesn’t help in it at all, if you wanna know.

and now that i’m “here” (where is “here”, i wanna ask, but won’t), everyone tells me i’m just a lucky bastard for getting this job, meeting these people and working for someone with whom i can possibly be in the background of a picture in a magazine cover. but i’m not a lucky bastard. i’m a hardworker and being a hardworker has its price. it’s expensive. it gets you tired. it gets you awake for days. it’s not cool. it’s not cool to be a workaholic. it can’t be cool to drink so much coffee your blood changes color. it can’t be good when you’re not able to be in your cousin’s birthday just to meet an impossible deadline.

my dad always told me i had to keep balance — i never listened. my whole life’s been a succession of days i wake up standing in the limit of the abyss and ready to take another step. and. never. fall. day by day, learning to build more floor below my feet. learning to make the 16 year old girl who started working in her family business proud. because that girl never loved her family business. neither does the woman i’m today. but i love so fucking much everything i conquered. every job interview, every project i finished 4 hours before the deadline after spending the night desperate with no ideas. every awaken night. every day waking up 5am, every coffee, every task list filled with checks. everything that will always be alright.

when you finally understand this — when you finally understand that everything is gonna be alright and that the bad is going to pass as fast as the last good day did, your life gets much more sense. your life gets better because you understand you can’t avoy sadness just to be happy one more day in a row. and you simply deal with sadness the way you deal with happiness: being sad and letting your blood heat and you skin burn. letting tears come and people go. you do all of it because you are strong and you deserve the good days that will come after. you do all of it because you sweat, and don’t because you’re a lucky bastard. you can only be called by that if you don’t do a thing and get stuff. if you sweat, if you try, if you work hard, you’re not lucky. you simply conquered what you worked for. and you deserve it. enjoy.

te quero

eu falei que não ia e que, meu deus, não podia, nem por descuido nem por intenção me deixar cair no seu papo sem noção. avisei que não ia me apaixonar, pra você desencanar, pra gente deixar como tá, fazer a página virar, levar tudo como dá.
foi no décimo segundo d’um áudio qualquer que meu peito apertou e eu senti mais que deveria. eu senti mais que deveria quando o tom da sua voz faltou bater no teto tamanha emoção. senti muito, blues, em manhãs seguintes, em noites sem limites, em contas de bar divididas por dois e naquela que você pagou só.
parecia que tinha virado pó tudo que eu tinha dito, que você tinha guardado no bolso minha resistência e me levado caminhando devagar em caminho à inconsciência de me deixar chegar no ponto de considerar te responder sim, te dizer que te quero pra mim, que neguei pra evitar problema, mas que não dá mais nesse esquema e que eu vou precisar da sua ajuda para superar essa bagunça que eu acabei de juntar.
eu disse muito que não ia. repeti. me ignorei, de novo. e fiz.
escrevi cartas, no plural, sem saber onde ia chegar. comi refeições fartas, bebi cervejas geladas, uísques sem nenhum gelo e lidei com suas palavras sem zelo. entendi seu cuidado, te deixei no seu quadrado e superei os dias sem suas gargalhadas. que errada fui eu, sem saber como ficar na hora que te senti encostar no meu ombro, puxar a cadeira, sentar do lado, atrapalhar a passagem. que viagem.
não sei quando te quis, mas te quis: perto, junto, dentro. e vou te dar esse momento.
tento.
mas eu avisei desde o começo, não penso duas vezes antes de falar, sei que pode machucar. ou curar. ou sarar. no meu caso, citar. recitar. enviar. depois de divagar, devagar, sobre você que me diz o que nem condiz. por isso, eu falei que não ia. eu nem podia. Deus nem queria. mas eu quis tanto, a vida fez da paixão um canto que eu não soube abstrair. e acho que a gente não vai dar certo, nossa cama não tem endereço perto e nossa agenda cisma em não se encontrar. eu vou avisar minha cabeça pra tomar tenência e ter a decência de te deixar pra lá. é que eu já pedi antes pra ela não querer você, que o mundo tá cheio até nem ver mais gente pra se ter. a cabeça não me obedece, não tem prece, nem cerveja, nem uísque, nem cachaça que me faça te colocar onde você tinha que ficar. te guardei um lugar no canto da mente, atrás de tanta gente, e você expulsou todo mundo sem gritar, só com seu jeito de encantar e agora tá tão vazio que eu não sei nem como me portar. era pra ser bom, só eu e você, numa mesa qualquer, mas tem outra mulher, num plural que eu não quero colocar pra minha mente não se perturbar. você vai embora em alguma hora e eu prometi que ia ficar – e fico. enquanto você não for, eu fico. depois, quem sabe, te indico pra quem me disser que quer viver uma coisa doida, pra ter sentimento até perder de vista e, quem sabe, fazer graça pra algum turista dessa cidade que, em todos os seus cantos, não esquece você. eu te disse que não ia, mas estabilidade nunca foi meu forte e você deu sorte que eu demorei pra entender que meu desejo era falta e meu anseio era pauta de mais um texto que, num dia chuvoso, num lugar só seu, eu ia escrever pra te dizer que eu disse que ia ser o fim, mas acontece que eu não posso esconder que eu te quero, sim. ai de mim.