sobre caio fernando abreu

caio é meu autor preferido. acho que nasci amando, mas não tenho certeza. sei que nasci pronta pra escrever e a vida se encarregou de colocar um livro dele nas minhas mãos pra garantir a inspiração. virginiano, completaria mais um ano de vida no último dia doze de setembro. caio me desperta coisas. caio fala de encantos súbitos sobre pés, fala de borboletas, alecrim, hortelã, janelas, dragões e doçura. caio sempre fala de doçura. em dias, caio me dá vontade de sair andando, resolver problemas, escalar montanhas, atravessar pontes, salvar o mundo, abrir a geladeira e sorrir pro pote de manteiga e pra garrafa de água, porque a vida é como é e ponto. em outros dias, lê-lo me faz explodir em mim e causa erupções dos sentimentos mais diversos, pecaminosos, dolosos, dolorosos e profundos que alguém é capaz de sentir. caio faria aniversário no último dia doze e esqueci. talvez tenha sido por isso que hoje, quando decidi que precisava sentir coisas e torci pra que ele me despertasse vontade de sorrir pros problemas irremediáveis, foi logo esse o texto que caiu no meu colo. fala de ana cristina, outra escritora incrível que costurou palavras lindas em palavras horríveis e quase criou uma canção. tenho quase certeza que, se bem tentado, um beijo que parece um blues vira um som lindo de se ouvir. ele fala de ana cristina e ana cristina subiu escadas como uma diva antes de escolher seu grand finale aos 30 e poucos. pelo menos não dá pra reclamar de inércia. a vida é como é.

[escrito em 19 de setembro de 2017, sobre esse texto: http://caiofcaio.blogspot.com.br/2011/06/por-aquelas-escadas-subiu-feito-uma.html]

“queria tanto que alguém que me amasse por alguma coisa que escrevi”

conheci caio fernando abreu em algum lugar aleatório das estantes das bibliotecas que frequentei no ensino fundamental. eu com certeza não estava procurando por alguém que havia escrito crônicas e contos e romances no século passado e, menos ainda, buscando autores que haviam morrido no ano que nasci. lembro de ainda estar usando uniforme azul de moletom e gorro quando li pela primeira vez as palavras “queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que escrevi”. fiquei perpetuamente tocada pela possibilidade de conseguir um amor por algo que não sabia (e ainda não aprendi) como não fazer.

eu queria muito um amor.

caio

na minha cabeça pré-adolescente, conseguir um amor dependia de muitas coisas que eu não sabia fazer direito. um amor exigia uma coleção de vestidos bonitos, com pelo menos um pretinho básico e vários saltos 15. tinha certeza que pra viver um amor era preciso usar maquiagem (o que eu me forcei a fazer, mesmo odiando), alisar os cabelos (o que eu também fiz) e um cartão-fidelidade de uma floricultura. meu futuro amor merecia flores. eu tinha certeza que, pra ter um amor, era preciso cozinhar bem (a única coisa da lista de pré-requisitos que eu sabia fazer), limpar a casa e ser ótima na cama – eu tinha essa preocupação e, naquela época, a única coisa agitada que eu fazia na cama era acordar de pesadelos com a vilã “zula, a menina azul” do castelo rá-tim-bum.

apesar de toda essa meninice de não entender nada sobre o amor (quem entende?), fiquei esperançosa quando conheci caio. primeiro, porque foi um dos primeiros autores que li que não escreviam como quem dá aulas de hermenêutica. eu sentia que podia ter escrito o que lia – e quanta prepotência! segundo, porque seu desejo se tornou o meu: quando o li, já havia começado a escrever. mais ou menos um mês atrás, encontrei um conto que escrevi há mais de dez anos. é péssimo. mas serviu para recordar com clareza como sempre encontrei uma forma de documentar quaisquer que fossem os sentimentos talhados no meu peito. ou então os presos nessa minha mente que nunca poupou esforços pra inventar o que quer que fosse e coubesse em dúzias de palavras ritmadas, repetidas, listadas e agrupadas em frases longas sem pontos finais. certas coisas nunca mudam.

quando conheci caio fernando abreu, uma revolução aconteceu na minha vida: eu tinha, agora, um autor preferido. e ele, em alguma escala, havia vindo junto com a possibilidade de realização de um desejo meu – que fora dele e do qual me apossei. em suma, entrei na biblioteca atrás de um livro e ganhei dois amores. o de caio e o que me amaria por alguma coisa que escrevi. e caio me foi – e é – um amor, daqueles eternos, porque tenho certeza que ele e eu nos encontramos nas vidas passadas que eu nem acredito que tive, mas gosto de fingir que sim, só pela possibilidade de tê-lo visto em alguma delas.

e comecei a mirabolar sobre esse amor. ele se apaixonaria pelas minhas palavras, tão minhas. se apaixonaria ao me ver escrevendo à mão, ou no computador, ou em guardanapos dos restaurantes que frequentaríamos – e eu não estaria vestindo um único pretinho básico, nem salto 15, nem maquiagem e nem estaria de cabelo alisado, porque agora nada disso era necessário já que eu teria um amor que me amaria pelo que eu havia escrito.

esse meu amor, o que me amaria pelas razões certas, me levaria para tomar um café e entenderia completamente quando eu olhasse para o nada com cara de quem acabou de encontrar um romance entre os quadros da decoração. ele aprenderia a mexer na minha cafeteira para fazer café quando o meu acabasse e ouviria atentamente à minha prova de artigos, textos, contos e romances inteiros se preciso fosse. e ganharia todos. esse meu amor se esconderia por entre as entrelinhas dos meus textos sobre são paulo, seria o “você” de todas as longas cartas pra ninguém que eu passaria a escrever depois de muito ouvir adriana calcanhotto num dia meio feio.

na minha cabeça, esse meu amor que me amaria por alguma coisa que eu escrevi seria daqueles brandos que abraçam apertado sem a menor justificativa e discutem sem levantar o tom de voz. que não maltratam o lado de dentro de peito e dão beijos de amor louco sempre que a vontade bate – o amor que eu imaginei era do tipo que apanha da vontade que bate a qualquer hora do dia.

a coisa mais louca dessa vida é que eu nunca esperaria que, para ter um amor desse tipo e que me amaria por uma coisa que eu escrevi, eu precisaria escrever outras coisas. para que o amor que me amaria pelo o que eu escrevi cumprisse todos os requisitos que eu mirabolei – que eram quase uma soma pior que de salto 15, pretinho básico e maquiagem com cabelo alisado -, eu precisaria escrever coisas calmas, de voz baixa, sem exclamações, com mais pontos finais e, talvez, uma quantidade menor de palavrões ou menções à coisas que me são tão importantes tais quais os nuncas e sempres e todos os outros amores que passaram pela minha vida. pra eu ter um amor daqueles eu precisaria ser uma escritora daquelas.

e sendo uma escritora como sou, os amores que me aparecem exclamam. gritam. berram. são doidos e dizem não e dizem sim e depois juntam o não e o sim num meio de caminho que nem eu nem o amor entendemos e seguimos sem nada entender sem vírgulas usar construindo sentenças longas demais. quem vai cumprir? meu desejo se realizou e me amaram e me amam por alguma coisa que escrevi: caio devia ter avisado que o seu amor vem de acordo com o que você cria e, pasme! it’s both a bless and a curse. caio devia ter avisado que ser um escritor que fala o que quer é sempre ser um amor que tem o peito dilacerado e depois se reconstrói com as palavras que despencam de cada um dos ventrículos átrios veias e moléculas sanguíneas que se espalham pelo chão.

não tem poesia em ser amado pelo que se escreveu – no máximo, você cria alguma poesia desse amor: fria, mórbida, sem muita esperança, com palavras muito duras. ou, quem sabe, se você for um escritor como eu, consiga criar uma poesia com esperança de um próximo amor melhor que, talvez, quem sabe, virá num momento em que minhas palavras serão mais brandas e que, talvez, quem sabe, atrairão um amor que caiba na ideia mirabolante da pré-adolescente que, um dia, pegou um livro de caio fernando abreu na mão e decidiu que só acreditaria no amor se ele se apresentasse dizendo que amou alguma coisa que escrevi.

fluxo de consciência I

a gente bate no peito pra falar que é artista que respira arte que não sabe viver sem música que o texto sai por onde a cabeça nem passa e que tudo passa mas a poesia prevalece a gente bate no peito pra falar que vive de escrita e que tudo que aconteceu na vida foi documentado em alguma escala a gente ama pra escrever a gente respira pra escrever bebe pra escrever fuma pra escrever respira fundo pra escrever inspira pelo nariz solta pela boca e no final da expiração escreve um poema a gente vê uma placa e escreve um poema a gente passa um café e escreve um poema a gente acende uma vela aromatizada e escreve um poema sobre o cheiro que sai da chama da vela que acendeu no momento do fim do dia que a gente entendeu o que adélia prado queria dizer quando escreveu que de vez em quando deus tira a poesia porque a gente apesar de ser artista escritor poeta nem alegre nem triste apenas poeta a gente olha pra pedra e como adélia disse a gente só vê pedra e aí não sai poema algum.

passa amanhã

hoje eu queria escrever sobre as coisas que eu não consigo falar e descrever cada um dos sentimentos que eu não consigo mais demonstrar. eu queria falar de amor ao próximo, abraços ótimos, de um mar de olhares que eu nunca transformei em nada. nunca. nada. hoje eu queria usar palavras eternas pra dizer que dois e dois só são quatro na matemática e que todas as outras disciplinas são indisciplinadas pra somar. hoje eu queria escrever de paz, de sossego e de tudo que faz tempo que eu não consigo sentir e já não sei mais como buscar.

hoje eu queria atravessar na frente do carro e sentir o vento bater no cabelo e conhecer a sensação de ouvi-lo dizer: “foi por pouco” e depois escrever sobre o segundo exato em que tive certeza de que iria sobreviver. hoje eu queria sobreviver. e escrever sobre a sensação de estar viva. hoje eu queria escrever sobre reviver os dias, sobre cantar fora de hora e lugar e me sentir num karaokê saindo da estação do metrô. hoje eu queria escrever sobre yoga, pilates, meditação, ahayuaska, natação e todas as coisas que a gente nunca faz.

hoje quando eu acordei eu pensei sobre a falta. e desde então a vida me tirou o fôlego necessário pra completar a frase que eu comecei a escrever pra dizer o que hoje eu acordei pra dizer. e só me sobrou a falta. e nunca consigo dizer nada. nunca. nada. palavras eternas sem razão. toda força do mundo no vazio do sem porquê.

hoje eu queria escrever. quem sabe amanhã.

o que era pra ser

era pra você ser uma crônica escrita num domingo de manhã, com cheiro de café recém-coado e gosto de quem dormiu tudo o que precisava. era pra você ser um poema escrito na sexta a noite depois do expediente, com o peso das costas e o suor do dia que insiste em nunca acabar. era pra você ser só um dos textos que eu escrevo por aí e que parecem ter seis páginas de extensão e me obrigam a cortar até caber em mil e quinhentos caracteres. era pra você ser um texto que eu escrevi no meu diário e nunca tirei de lá, porque falava muito profundamente sobre nós sem dizer nada sobre coisa nenhuma. era pra você ser só uma frase que eu rabisquei no canto do caderno de tarefas e nunca tirei de lá.

mas aí você veio como uma avalanche e tomou conta da coisa toda, se tornou uma odisseia contemporânea de doze volumes e eu não consigo mais ver fim. você veio fazendo o papel de tsunami que prometeu que faria e estraçalhou tudo o que viu pela frente, transformou meus poemas em cobertor e os usou pra se aquecer nos dias em que o gelo do mundo tomava conta de dentro de você. você fez exatamente o que prometeu e não pensou duas vezes antes de me transformar na palavra mais dita do seu dia, no canto que nunca cessa, no livro de cabeceira que sempre está ao lado, que é indicado pra todo mundo, que todo mundo precisa ler, mas que faz uma década e meia que serve de apoio pros óculos que você coloca na cabeceira antes de dormir.

era pra você ser um poema, mas você veio como um turbilhão e eu já não sei mais usar as palavras pra outra coisa que não seja te contar que era pra você ser um monte de coisa que você avisou que não seria — e eu insisti em não acreditar.

não existe poesia no fazer poético

eu queria escrever um poema
e fui atrás de inspiração
fiz abstinências
e abusei dos excessos
enchi a cara
arranjei briga
trepei
depois fiz celibato
absorvi tudo o que pude
e ouvi canções
pra descobrir no fim do dia
que fazer poesia
não tem fórmula
e o poema não vem
quando se senta para escrever
mas quando você senta pra cagar
entra no chuveiro pra se lavar
ou pega uma chuva indo rezar

a poesia tem endereço
e ele é onde você está

sobre tentar escrever e outras odisséias

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inspiração é coisa de momento. tem dia que acordo virada na clarice lispector e crio poesia até sobre o ângulo específico em que a minha janela se encontra. tem dia que nem todo amor, alegria, felicidade e paixão conseguem me fazer uma legenda de foto.

sequer criaria um tweet.

dia desses, enquanto zappeava internet afora, encontrei o blog de uma professora de escrita (laura cohen é o nome da moça, o blog é o estratégias narrativas — espetacular). em primeiro lugar, venho por meio desta dizer que meu ceticismo sempre se encontrou presente no que diz respeito a acadêmicos da literatura. tanto pra produção, quanto pra consumo: não acredito (não acreditava?) em quem teoriza paixão. mas a laura faz isso com uma delicadeza que investi a madrugada inteira lendo do título aos direitos autorais do criador do site. wordpress, caso interesse. maravilhoso, tudo maravilhoso.

minha bandeira sempre foi de que o poema só é do poeta até a tinta cair na folha, que as palavras têm sentidos próprios pra cada leitor e que não cabe a crítico, acadêmico ou o que for a tarefa de tentar explicar qual era o sentimento do autor.

autor (eu, pelo menos) não tem sentimento específico pra cada palavra escolhida. obviamente, escolhemos a dedo a posição de cada vírgula e o porquê de cada tempo verbal, mas não o fazemos para que, posteriormente, os críticos associem uma cortina à um estado de espírito ou um adjetivo a características de pessoas próximas. escolhemos para que o texto tome a forma que é necessária e que sempre coube a ele, desde o momento em que a primeira frase surgiu em nossas cabeças como uma janela pop-up.

e por falar em frases que surgem, meus textos sempre saem de uma frase específica. O texto inteiro, dos mais longos que se estendem por cento e tantas páginas aos mais curtos que mal podem ser chamados de parágrafo, surgem todos de uma única frase que minha mente cria. este texto, por exemplo, surgiu inteiro a partir do título. vai entender.

nos meus textos também cabe uma característica que, por deus, sempre quis que um crítico dos mais chatos analisasse. tenho um hábito — péssimo, inclusive, meus contratantes faltam me esfregar o rosto no chão — de abusar das letras minúsculas. não consigo me habituar as letras maiúsculas em início de frase: não me parece necessário. gosto de como fica a frase quando não se usa coisas imensas depois de cada ponto. parecem-me como um portão fechado. as frases não são portões, são pontes. são interligadas e as letras maiúsculas são morros gigantescos entre elas.

sou asmática, não posso subir.

os críticos também se divertiriam com o meu hábito de elencar adjetivos e características, lado a lado, abusando do direito da vírgula. adoro quando um dos meus personagens exige algo de mim. dia desses, ao escrever uma personagem que adoro (chama lúcia, com acento agudo), precisei elencar uma série de razões pelas quais ela não queria mais morar onde estava. lúcia é organizadíssima, muito metódica, quase cética se não fosse a seriedade com que trata sua fé. o parágrafo ficou assim:

Mas não poderia mais estar ali, nem lá, nem cá, disse pra dentro enquanto olhava pra todos os cantos daquele lugar. Ela não estava se lembrando especificamente dos doze anos morando ali, mas da última semana, porque o prazo, ali, já havia acabado. As coisas todas possuem prazo e o daquela casa havia acabado há uma semana. E contando. Possuía prazos. Quando acaba, é preciso fazer algo. O prazo acabou para aquele lugar — aquele, porque estava em outro, e comemorando, mas já chegaremos lá — o prazo acabou para aquele lugar quando as bromélias murcharam na primavera, quando seus chinelos desapareceram, seus pés começaram a engrossar no calcanhar, os ombros passaram a descascar quando sentava pela manhã, depois de chegar do trabalho, no mesmo lugar onde sentou pelos últimos doze anos. A janela é a mesma, mas, como acabou o prazo, não possui mais a mesma funcionalidade. Prazos são prazos, o dali acabou.

vejam a quantidade de vírgulas, a mania de listar tudo. essa é uma característica dos meus textos desde que me conheço por gente. lembro-me claramente de sentar pra escrever ainda no ensino fundamental (me conheci por gente bem cedo) e receber uma bronca da professora por adiar o ponto final. poderia fazer um parágrafo inteiro sem um só ponto.

culpa das letras maiúsculas, eu tenho certeza.

talvez por isso — pelo amor às vírgulas, listas e letras minúsculas — sempre tenha me encantado tanto em conhecer e ler fluxos de consciência. no livro “os dragões não conhecem o paraíso”, o autor gaúcho-quase-chileno caio fernando de abreu escreve um fluxo de consciência entitulado “à beira do mar aberto”. frases puxam frases, sentimentos, momentos, detalhes específicos do personagem que, mesmo sem vírgula ou parágrafos, nos leva pra mil e um lugares e, ao fim, também nos leva ao afogamento pela mesma mão que uma vez o tirou do fundo.

um bom texto puxa vírgulas. pontos finais exigem novas sentenças, sintática e frases completas com artigo, objetos, sujeitos. sempre quis escrever, mas sempre soube que não seria utilizada em escolas.

por deus, oculto até os artigos das frases, quem dirá escrevê-las sintaticamente corretas para que sejam analisadas por crianças do quinto ano. não, obrigada, gosto das entrelinhas.

tem dias que a inspiração não vem de jeito nenhum. e, nesses dias, escrevo sobre escrever. mas sempre escrevo. escrevo há tanto tempo que aprendi uma coisa (que sempre respondo quando me perguntam de onde tiro tanta criatividade): mesmo sem vontade e sem criatividade, crie algo. por mais que comece batido e pareça que céus, estou criando algo que já foi feito antes peloamordedeus alguém me salva do plágio involuntário.

sempre pensei nisso, mas laura cohen (a moça que me fez gostar de teoria sobre produção literária) verbaliza muito melhor em um de seus textos, onde diz que cada um de nós tem suas próprias palavras. não existe essa ladainha de que tudo já foi escrito, de que é preciso se ler o que os grandes pensadores escreveram para que não se escreva o mesmo e muitos blá blá blás. academicistas e suas fórmulas mágicas pra criação. criação é pessoal e todo mundo tem algo a dizer.

quando achar que nada que pode ser dito é verdadeiramente útil ou bonito, escreva sobre a sua fórmula mágica (pelo menos, essa é a minha).